House of Cards | 3x07 "Chapter 33" - "She knows me better than I know myself."
A política governa o mundo. E por mundo, refiro-me a tudo. Somos fruto de relações, e relações envolvem política. Chapter 33 foca-se na relação de Frank e Claire, que sofreu danos sérios no episódio anterior. Os dois parecem ter perdido um pouco a sua própria essência que tanto os caracterizava, para embirrarem com coisas fúteis como “toquei-te e tu encolheste-te”.
Chapter 32 causou grande impacto no final, com a discussão entre os dois após Claire ter desafiado o Presidente russo em público quando os tratados de paz circulavam no ar. Ficou a impressão de que depois de tanta coisa nua e crua sair da boca dos dois, a zanga era para perdurar. Mas qual seria o ambiente lá em casa? Sabemos até que ponto Frank é capaz de ir para concretizar os seus planos, mas Claire é o seu amuleto, das poucas coisas que ele valoriza com o coração e não com a cabeça.
A paz no Vale do Jordão parece que vai perdurar pela temporada, já que agora o Bloco Africano controlado pelo Zimbabwé decidiu exigir a presença de tropas suas lá, dificultando a aceitação da Palestina e Israel. Claire propõe aumentar o suporte monetário ao Zimbabwé, mas Frank contrapõe junto dos restantes secretários que é uma ideia ridícula, financiar um ditador que ora rouba, ora mata. O jogo de opiniões foi bem construído neste episódio. Várias vezes vimos Frank e Claire a discutir acerca de situações que parecem resultar da discussão anterior no avião. Ora quando estavam a tirar a fotografia e Frank alega que a mulher se encolheu quando este lhe colocou a mão no ombro, ora nesta situação da proposta ao Zimbabwé, em que Claire afirma que Frank a atacou publica e pessoalmente. Não há forma de dizer, são situações cujas intenções estão tão suaves que não sabemos dizer se é paranoia, se é fundamentado.
Entretanto, Gavin consegue imagens de Rachel em Santa Fé. Douglas exige uma localização exata antes de poder enviar Gavin numa excursão pela mulher desaparecida. Muito emocionado com as fotos da eterna mulher-fetiche (não vejo outro nome), o que não o impede de jogar a carta de cavalheiro com a fisioterapeuta, levando assim o dinheiro para casa, se me permitem a expressão. Foi previsível a química entre os dois nas sessões, mas confesso que estava à espera de um “não”, da parte de Stamper, e algo como “há outra pessoa”. Já que estamos aqui, de salientar a confiança que Heather já parece ter depositado em Douglas – eu próprio estou convencido de que não há jogo duplo, e não é fácil.
Grande aplauso para a relação que se parece ter estabelecido entre Yates e Frank. É ótimo podermos ver um pouco da cabeça do Presidente acerca dos assuntos mais humanos e que lhe passam pelos ventrículos, nem que seja preciso a ajuda de uns goles de whisky. Yates revela também o seu segredo, mostrando que é de confiança – alguém de quem também suspeitava a início, mas que tem vindo a convencer.
Acabada a tempestade, vem a bonança. Claire e Frank acabam abraçados na cama, mas cada um com o que lhe vai na cabeça e nós com o que cá vai também. A falta de comunicação depois do Air Force One foi o despoletar de todos os problemas. Ambos disseram coisas que não agradaram ao lado oposto e todas as conversas acerca disso parecem ter sido apenas ao de leve, sem intenção de resolver os problemas e apenas apontar que este fez isto e aquele fez aquilo. Nada ao estilo Underwood. A acrescentar a isso, é o facto de, ironicamente, ambos quererem encontrar paz naquele vale que os divide, mas ainda estão na fase da puberdade da discussão, enfiados cada um no seu canto. Isso quebra-se, agora no final, mas vamos ver se um quadro e uma mensagem bonita são o suficiente para amenizar a situação.
EXTRA: O espetáculo dos monges esteve um pouco desenquadrado de toda a ação que se passava na Casa Branca, mas é exatamente isso que eu adoro em House of Cards. Com certeza há mil e uma formas de relacionar o ritual com o que se passava, paralelamente, com o resto das personagens. Na minha opinião, enfatizou a diferença que marca a terceira temporada, em relação a Frank e Claire. Frank olhou uma vez para os monges, de resto apenas passou sem prestar qualquer atenção aos homens ou ao próprio trabalho; Claire saudou-os e observou-os durante uma hora e não observou apenas a obra em si, mas sim o método que eles usavam para pintar e toda a atenção ao detalhe e dedicação. Frank quer chegar ao objetivo, Claire para para pensar nos meios. Não que tal acontecesse propriamente nas temporadas anteriores, mas é o que está a marcar esta. E no final, o objetivo não era nenhum, porque já tinha sido alcançado pelos meios: os meios eram o único objetivo; a dedicação, o trabalho; não há recompensa, porque o que marca são os caminhos tomados. Quando os monges partiram, Frank lamentou não ter visto o trabalho final, mas o que ele realmente perdeu foi o essencial, e que esteve lá todos os dias para ele assistir. Partilhem a vossa interpretação nos comentários.
EXTRA 2: Claire de cabelo escuro? Aprovado.
#APSPortugal
#HouseofCards
Autor: APS Portugal
Sem comentários:
Enviar um comentário