Este novo episódio traz uma noção importante ao cimo: a de que se trata de uma história focada nas suas personagens e não no que acontece à volta delas.
Por uma lado, o 4º episódio vem na perspectiva de Anatoly e Vladimir, dois irmãos da organização russa que tem feito pequenas aparições, nos episódios anteriores. Os dois tinham combinado ir para os EUA para subirem na vida do crime organizado. No entanto, agora deparam-se com O Homem de Negro, como lhe chamam.
Ao mesmo tempo, vemos Wilson Fisk, visto pela primeira vez no final do episódio anterior. Ao passo que o episódio 3 serviu para construir a sua aparição, este serve para apresentá-lo. E a forma escolhida para caracterizar Fisk é... inesperada. Este homem, tão poderoso no mundo do crime que nem o seu nome está autorizado a ser pronunciado, volta à galeria de arte em que esteve no episódio anterior e convida a consultora de arte, Vanessa, a ir jantar com ele. Um encontro. Ao longo deste jantar, vemos Fisk falar de si e das suas ideias sobre a cidade, que, curiosamente, espelham um pouco as de Matt. Mas ele também tem um lado simples e honesto, não tendo problemas em admitir que não foi ele quem escolheu o vinho, mas sim Wesley, mesmo depois de ver que Vanessa se encontrava fascinada pela escolha.
Além disso, temos Matt, que sabe que tem os criminosos russos ao seu encalço. Para prevenir, dá um telemóvel a Claire Temple, que cuidou dele quando os russos o feriram. No entanto, não é o suficiente e, quando os russos apanham Claire, Matt não pode fazer nada, além de tentar reverter o processo e ir ele ao encalço deles. A luta que se segue, mais uma vez, é excelentemente coreografada e termina com Matt a cuidar das feridas de Claire como ela cuidou das dele.
Estas três histórias paralelas colidem quando Anatoly interrompe o jantar de Fisk, causando agitação e fazendo com que Vanessa o rejeite. Isto, mais tarde, suscita o lado mais negro do vilão, que, como se enlouquecesse, apanha Anatoly e, sem dificuldade ou hesitação, mata-o com as suas próprias mãos, decapitando-o, seguidamente, com a porta do carro. O contraste entre este momento violento de Fisk e o seu comportamento no jantar é de tal forma grande que a complexidade dada ao personagem torna-o extremamente interessante e, acima de tudo, imprevisível.
Karen também tem um arco paralelo e mais secundário, neste episódio, com a sua parceria com Ben Urich a continuar a desenvolver-se. Não desenvolvendo demasiado esta parte, o episódio deixa a promessa de que estes dois vão mergulhar de cabeça no caso e descobrir o que se passa em Hell's Kitchen.
Como um todo, este foi o episódio mais completo de "Daredevil" até ao momento. Embora todos tenham tido particularidades que os tornam superiores a muitas outras séries, este 4º capítulo veio com muito bom ritmo e argumento, Se todas as séries fossem assim...
Referências ao MCU (Marvel Cinematic Universe): Thor e Homem de Ferro são mencionados por Wesley.
Autor: APS Portugal
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