APS Review
The Flash | 1x10, “REVENGE OF THE ROGUES”
Continuidade parece ter sido a palavra de ordem no episódio desta semana. A série pode ter estado parada durante mais de um mês mas não foi por isso que descurou tudo o que construiu até ao final de meio da temporada. Assim sendo, REVENGE OF THE ROGUES adiantou a narrativa tanto a nível de Reverse Flash (Barry está empenhado em treinar e tornar-se melhor para o derrotar), como no campo emocional (Iris, claro) sem nunca esquecer os tão adorados vilões.
E que vilões!
Leonard Snart/Captain Cold e Mick Rory/Heat Wave são, até agora os melhores vilões que a série explorou (ainda bem, porque na banda desenhada são dos mais icónicos e recorrentes). Claramente divergindo de Arrow, onde os vilões são, obviamente, maus mas conseguem, por vezes, ter uma consciência ou um motivo honroso por trás dos seus atos maléficos, em Flash este par funciona por simplesmente ser terrivelmente divertido de observar quando planeiam e executam os seus atos.
Sejamos honestos, a um nível superficial, o caráter de um e outro contrastam claramente e roçam no cliché típico da banda desenhada mais clássica: Rory é impulsivo, violento, o cabeça quente (ups) da dupla e Snart é mais calmo, ponderado, frio até (estão a ver onde quero chegar?). Mas tudo isto é esquecido pela magnífica interpretação que os atores fazem deles, evocando , até certo ponto, a química adquirida durante o tempo em que foram irmãos em Prision Break.
Porém, e embora o episódio tenha explorado esta clara justaposição de caráter (e referências extraordinárias a Ghostbusters), REVENGE OF THE ROGUES foi excecional ao ponto de elevar ambas as personagens (talvez mais evidentemente Snart) a um patamar acima do típico vilão da banda desenhada. Se repararem bem, começou a surgir uma clara linha que divide Leonard Snart, o criminoso profissional, calmo, que planeia tudo até ao último pormenor (escapar da carrinha de transporte para Iron Heights ainda conta como "fuga da prisão", certo?), de Captain Cold, o vilão, o alter-ego, a personagem inadvertidamente criada pela equipa de Flash mas que Snart adotou com grande facilidade, melhorou, interiorizou e tornou sua. Esta divisão torna a personagem muito mais tridimensional e, consequentemente, interessante do que as restantes, introduzindo ao mesmo tempo questões a ser respondidas no futuro: Mas afinal qual é o plano dele? Vai voltar acompanhado? Ele gosta de assumir a sua personagem maléfica não gosta? Ah malandro!
Purcell (ator que encarna Heat Wave), sendo a primeira vez que deu corpo a Heat Wave, durante um episódio todo (recordo aquela breve espreitadela no final do episódio em que Snart surgiu), admito que conseguiu encontrar um equilíbrio decente entre a faceta de vilão psicopata e de idiota engraçado, não se tornando "foleiro" demais (Repararam que o ator quase não pestanejou? Que cena, deve ter que ter comprado frascos e frascos de colírio para os olhos no final das gravações!).
Mas, tal como afirmei no início, continuidade foi a palavra de ordem do episódio e, como não podia deixar de ser, o final deste não só nos deixou a certeza que a dupla está longe de desaparecer mas que pode evoluir para algo bem mais substancial e grandioso.
Quem conhece a banda desenhada já é familiar com a "Rogues Gallery", ou seja, um grupo de vilões, do universo de Flash, liderado por Snart que inclui bastantes outros mauzões. Alguns já apareceram (Captain Boomerang -em Arrow-, Weather Wizard, Heat Wave, etc.) outros têm estreia na série prometida (The Trickster, etc.). Mas, já neste episódio, tivemos breves referências a dois membros dessa organização. Lisa Snart, a irmã de Leonard, que os tira da carrinha da prisão (na BD é conhecida como Golden Glider, ou apenas Glider, depois do reboot dos NEw 52) e Hartley Rathaway, afastado da família pelos próprios pais, que perderam um quadro milionário no episódio, e que é conhecido, na BD por Pied Piper (é o vilão do episódio da próxima semana). Há inúmeras possibilidades com o que os argumentistas podem fazer apenas com estes elementos novos.
Concluindo, Flash regressou em força. Misturou vilões carismáticos, momentos emocionais, frustração, amor, amizade, referências geek e CONTINUIDADE numa panela e o resultado foi um episódio bastante sólido que nos deixa (eu diria, ainda mais) ansiosos por ver quais os caminhos que a série poderá seguir. Eu estarei cá para ver!
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Autor: APS Portugal